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Imprensa

"Revista da Qualidade"

Responsabilidade de procurar informar adequadamente o público
Entrevista a Mário Rodrigues, director-geral do Instituto de Medicina Tradicional
Com mais de 1000 alunos formados desde 1997, o Instituto de Medicina Tradicional segundo Mário Rodrigues, director-geral desta instituição, distingue-se de outras unidades de ensino pela "qualidade técnico-pedagógica dos formadores habituais do IMT, pela participação activa e proactiva de todos os envolvidos" e "pelas garantias oferecidas pela qualidade humana e profissional dos técnicos não-docentes.

Quais as principais diferenças entre a medicina natural e a chamada medicina convencional?
A diferença fundamental reside na abordagem utilizada, ou seja, a medicina convencional faz uma abordagem sintomática usando as alterações patológicas como referência. A medicina natural faz uma abordagem holístico e integrada do indivíduo, tendo como referência as condições que levam à manifestação da condição.

Como é que o cidadão comum se pode certificar de que determinado profissional é credível, ou seja, está qualificado para exercer esta profissão?
Escolher um técnico de medicina não-convencional ou mais adequadamente um técnico de Medicina Tradicional / Medicina Complementar e/ou Alternativa é uma decisão importante cujos critérios não são diferentes daqueles que o devem orientar na escolha de um técnico de medicina convencional, contudo, o IMT seleccionou alguns aspectos que o podem ajudar na selecção do melhor serviço. O facto de não ser uma área regulamentada faz com que muitas das organizações existentes, tais como algumas auto denominadas Escolas de Formação, Associações ou outras não estejam em condições de garantir, por si só, a qualidade dos terapeutas que eventualmente possam indicar. Assim, cabe-lhe a si, independentemente de optar por uma pesquisa autónoma ou por uma consulta a algumas organizações, a selecção do técnico mais adequado. Indicamos, assim, um conjunto de orientações que o podem ajudar a escolher um técnico por entre os vários que já pré-seleccionou ou que lhes foram indicados:
- pergunte se frequentou algum curso de formação inicial na área em que presta serviços e/ou se tem feito formação contínua nessa mesma área;
- pergunte sobre certificações, licenças ou acordos celebrados com associações profissionais ou outras;
- certifique-se se as habilitações profissionais do técnico são as suficientes à prestação daquele serviço [junto de Escolas Profissionais credíveis ou Associações profissionais];
- no caso de ser recebido telefonicamente por uma recepcionista pergunte se é possível ter uma conversa prévia à consulta com o terapeuta para que possa colocar algumas destas questões. Esta conversa prévia pode ou não ser cobrada pelo técnico;
- pergunte se o técnico se especializou em alguma patologia ou área de cuidados, e com que frequência trata pessoas com o seu problema ou condição;
- pergunte ao terapeuta se ele considera que pode aliar a eficácia à eficiência na abordagem ao seu problema ou condição e se tem conhecimento de algum trabalho publicado sobre os benefícios daquela terapia para o seu caso particular;
- pergunte quantos pacientes ele atende num dia e a duração da consulta;
- pergunte se tem alguma brochura ou sítio na Internet onde possa saber mais sobre a sua prática profissional;
- pergunte sobre preços e métodos de pagamento;
- pergunte sobre o tempo médio de espera pelo atendimento ou pela marcação de nova consulta;
- peça a localização e condições de acessibilidade [transportes públicos, estacionamento, elevador, rampa para cadeira de rodas caso necessário, etc.];
- pergunte o que pode esperar da primeira consulta ou avaliação;
- Faça uma reflexão sobre a confiança e credibilidade que lhe suscitou o terapeuta durante estas primeiras interacções

Após seleccionar o técnico deverá fazer-lhe as seguintes perguntas na sua primeira visita:
- Que benefícios posso esperar desta terapia?
- Quais os riscos associados a esta terapia?
- Os benefícios superam os riscos para o meu problema/condição?
- Que efeitos secundários podem aparecer?
- Quanto tempo pode durar o tratamento? Com que frequência serão feitas reavaliações sobre o tratamento a seguir?
- Precisarei de comprar algum aparelho, materiais, medicamentos ou suplementos?
- Dispõe de alguma literatura [cientifica ou outra] que corrobore a eficácia do tratamento?;
- Pode esta terapia ser usada de forma complementar a terapias convencionais?;
- Existem contra-indicações ou cuidados especiais a ter com esta terapia?;
- Como é que eu sei se o terapeuta escolhido é o mais adequado para mim?
- Foi fácil falar com ele? Fez-me sentir à vontade?;
- Senti facilidade em colocar-lhe questões? Pareceu disponível para me elucidar, e foram as respostas satisfatórias?;
- O terapeuta demonstrou abertura sobre o como podem as áreas não-convencionais e convencionais trabalhar de forma complementar?;
- O terapeuta procurou conhecer-me e ao meu problema/condição?;
- O terapeuta demonstrou conhecimentos técnicos acerca do meu problema/condição?;
- O tratamento prescrito pareceu-me razoável e aceitável?;
- O terapeuta foi claro acerca de custos e duração do tratamento?

De que forma a medicina natural pode melhorar a qualidade de vida das pessoas?
Se o ser humano consegue vencer a gravidade e viajar no espaço é porque observou, compreendeu e consegui-se harmonizar com as leis naturais envolvidas; mas se adoece, é porque não conhece ou quer respeitar essas mesmas leis, na gestão pessoal da sua vida. Ainda que nos pareça monstruosamente absurdo, muitas pessoas admitem preferir dar liberdade aos mais degradantes apetites e vícios, não se importando de adoecer e recorrer a medicamentos de síntese, em vez de respeitar as normas de conduta higiénica compatíveis com a sua condição biológica. Cabe a entidades como o IMT a responsabilidade de procurar informar adequadamente o público para que este, em posse de novos elementos, possa fazer opções mais adequadas e consentâneas com a sua condição de Ser integral e holístico. O cidadão deve tomar consciência que é dotado de um corpo físico, mental, emocional e espiritual que deve querer manter em perfeito estado de equilíbrio na sua relação interna consigo mesmo [intrapessoal] e na sua relação externa com o meio envolvente, porque, quando vítima de agressão externa ou interna, este equilíbrio pode ser colocado em causa provocando uma reacção em cadeia que leva a uma eventual debilidade na sua saúde, pois como a define a OMS - Organização Mundial de Saúde, esta não é a mera ausência de doença e antes o bem estar físico, emocional e social do indivíduo.

Qual o curso que tem o maior número de alunos? Existe alguma explicação?
O nível de execução das acções de formação planeadas corresponde ao previsto, ou seja, o número de formandos previstos por acção corresponde, regra geral, ao previsto no início do ano. Tal como dito atrás, no IMT, nada é deixado ao acaso, pelo que no início de cada ano e uma vez que conhecemos profundamente este mercado de formação, sabemos satisfazer a procura crescente do público. Apesar de estarmos, em termos conjunturais, a atravessar uma fase de recessão económica, a procura por parte do público em geral dos nossos serviços tem vindo a crescer. Este facto poderia causar alguma surpresa ao menos atentos, contudo, as leis da selecção natural teorizadas por Darwin são aqui também perfeitamente aplicáveis. Passamos a explicar; uma vez que o mercado se ressentiu das graves restrições em termos de poder de compra, boa parte da concorrência simplesmente não se conseguiu adaptar a novas regras e condicionantes [independentemente das razões serem de índole endógena, exógena ou mistas em termos de capacidade de resposta] o que fez com que o IMT se revelasse ao público como uma das únicas entidades credíveis e com garantias de exequabilidade relativamente às expectativas dos formandos. Desta forma, seleccionar um único curso cuja procura seja superior à esperada é redutor, pois de facto, atingimos os objectivos propostos na quase globalidade das acções propostas. A aposta na Qualidade, e sempre numa óptica de melhoria contínua, será realmente o que nos diferencia da concorrência, sendo a adesão e o grau de satisfação dos nossos formandos um reflexo disto mesmo.

Os portugueses estão receptivos e procuram este tipo de profissionais?
Uma vez que não existem ainda, pelo menos no nosso país, números absolutos, ou aliás, números obtidos através de estudos sérios e rigorosos, o IMT reserva-se a comentar apenas os números indicados pela OMS - Organização Mundial de Saúde, e que nos dizem que a Medicina Tradicional / Complementar e/ou Alternativa é largamente utilizada e de importância crescente para o sistema de saúde e económico. Em África cerca de 80% da população utiliza a Medicina Tradicional / Complementar e/ou Alternativa [MT/MCA] de forma a poderem corresponder às suas necessidades de cuidados de saúde. Na Ásia e América Latina as populações continuam a utilizar a MT/MCA resultante de circunstâncias históricas e crenças culturais. Na China, a MT/MCA representa cerca de 40% dos serviços de saúde prestados. Entretanto em muitos países desenvolvidos, a MT/MCA está a tornar-se cada vez mais popular. A percentagem da população que utilizou a MT/MCA pelo menos uma vez é de 48% na Austrália, 70% no Canadá, 42% nos EUA, 38% na Bélgica e 75% em França. Nos EUA, uma sondagem nacional publicada pelo Journal of the American Medical Association indicou que o uso de pelo menos 1 a 16 terapias alternativas aumentou do ano transacto de 34% em 1990 para 42% em 1997. As visitas a técnicos de MCA excede hoje, de longe, o número de visitas a médicos de todo o tipo de cuidados primários nos EUA. Em Portugal, e baseados na nossa experiência, podemos constatar esta tendência que se tem vindo a acentuar, pelo que o uso crescente das terapêuticas não convencionais é potenciado pelos efeitos secundários adversos decorrentes do uso de drogas químicas, questionando as abordagens e dogmas da medicina convencional, bem como por um maior acesso à informação por parte do público em geral. Ao mesmo tempo, o aumento da esperança média de vida trouxe consigo maiores riscos de desenvolvimento de doenças crónicas, debilitantes tais como problemas cardíacos, cancro, diabetes e problemas mentais/emocionais. Para muitos pacientes as terapêuticas não convencionais parecem oferecer meios de lidar com as suas doenças de maneira menos agressiva do que com a medicina alopática.

O que é que garante ao cidadão que o ensino ministrado pelo IMT é de qualidade?
Numa frase curta poderíamos dizer que o principal indicador é o número de alunos formados desde 1997, que ascende a um pouco mais de mil. No entanto, este não é nem pode ser o único indicador em termos de qualidade de ensino, pois outros indicadores e critérios podem ser incluídos nesta equação. Destacaríamos em primeiro lugar a qualidade técnico-pedagógica dos formadores habituais do IMT, que sabem corresponder integralmente aos desafios que lhes são colocados pela Direcção. Em segundo lugar, e na sequência do ponto anterior, destacamos a elevada qualidade dos programas formativos que não poderiam ser construídos sem a participação activa e proactiva de todos os envolvidos, desde a Direcção, à Coordenação Pedagógica, passando pelos próprios formadores e não esquecendo sugestões e críticas do corpo de formandos. Em terceiro lugar e numa escala de importância horizontal, as garantias oferecidas pela qualidade humana e profissional dos técnicos não-docentes, e não estamos a falar unicamente de corpos dirigentes ou com responsabilidades de coordenação pedagógica ou administrativa, mas também dos colaboradores da área administrativa e de manutenção. Assim, poderíamos resumir que existe nestas equipas de trabalho um elevado espírito de missão em prol de uma área em que todos acreditamos.

Qual a posição da Organização Mundial de Saúde sobre as Terapêuticas Não-Convencionais?
Tal como dito atrás, para a OMS, a saúde não se resume à ausência de doença, mas antes à promoção do bem estar físico, emocional e social do indivíduo. A posição oficial da OMS não poderia ser mais clara, pois emitiu um documento intitulado "Estratégia para a Medicina Tradicional 2002-2005", onde define o conceito de Medicina Tradicional / Medicina Complementar e/ou Alternativa, e dá orientações precisas aos Estados Membros para a implementação de políticas que visem a integração destas terapêuticas não-convencionais nos respectivos sistemas de saúde.

Para ver Entrevista ao Director do Instituto, directamente do site do Jornal Qualidade On Line, clique aqui.

Mário Jorge Rodrigues Director do I.M.T.


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